ondas
as ondas são, não são?
um fluir constante
água viva e fresca que envolve a gente
por que então me sinto tão rubro e exaurido?
não limpo, mas sujo,
mesmo que eu tenha fluído
duration of love and hate
As palavras macias em corações endurecidos
são nascedouros de empatia,
ódio é indiferença, o apego o ódio que enfrenta
a murada de pedra dos indistintos
atos de solidão.
Fosse meu discernimento grande o bastante,
seus respingos semânticos seriam o suficiente
para entrever o que se passa em sua semiótica,
que é como a ira dos anjos
jorrando flechas em revolta.
Falo a língua dos homens
estrangeira ao seu dialeto angelical.
Talvez seja meu pecado
viver nesse papel,
filho do silêncio e de Babel.
Anseio pela minha perfeição, ou a sua,
para sermos bons,
ou que fosse inoportuno, ao ponto de ser nada,
mas não que fosse ambiguidade mútua,
que culmina em desgraça;
isto é, a duração de uma idolatria e mil cóleras.
cold room
há um quarto gelado
iluminado
pelo sol vespertino
as janelas transparentes brilham
as vívidas cores do exterior
o quarto observa a natureza
e o quão invejoso deve sentir-se?
com o eterno movimento do mundo,
e a natureza
em plenitude questiona,
“o quão inseguro?”
essas coisas se repetem,
o ser um, diferente do outro,
isso é o melhor,
porque não há alternativa
à forma das coisas
para que fim são os fins
em todas as veredas visíveis
vejo o fim
em um olhar de distância
enormes becos
ineludíveis
à espécie de meu nome
não olhe para trás,
murmuram as ervas pisoteadas ao longo da estrada,
e nelas eu confio,
esses dias eu apenas creio no mundo
sem me perguntar,
a dúvida que o interesse faz brotar